Os meus adjetivos

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Meu amor por adjetivos começou cedo. Louca. Foi o primeiro. Sabe, a beleza de ser chamada de louca é que ninguém te julga (ninguém te leva a sério também, mas isso são outros 500), você pode ameaçar tomar Veja Banheiros, cagar bolinhas de gude, discutir Harry Potter em público e cantar Moulin Rouge a plenos pulmões. Ninguém liga, porque, afinal, você é louca.

Eu adorava o meu adjetivo, mas aí comecei a namorar um cara que não queria namorar uma louca. Ele não gostava de loucas, ele gostava de discretas, mesmo assim ele gostou de mim, então eu joguei toda a minha purpurina fora e fui ser uma discreta. Era esse o meu novo adjetivo. Mas não tinha graça, nem máscaras de carnaval e roupas coloridas, e, aos poucos, eu percebi que esse adjetivo não era meu, era dele, do namorado, eu só tinha pego emprestado. É como quando você compra aquele vestido P mesmo tendo plena consciência que você é um M, com a promessa de que você vai emagrecer para o verão, mas ai não emagrece e fica triste toda vez que olha pra o vestido lá, mofando no armário.

E foi isso que aconteceu, meu vestido P me deixava triste, porque eu sabia que eu sempre seria um M. Eu sabia que discreta não era pra mim. Então deixei o vestido, fugi do país e fui pra Londres espairecer.

Eu nunca tive tanto adjetivos num período tão curto de tempo. Começou com o óbvio, brasileira, mas em pouco tempo eu virei legal, dai veio o engraçada, o sexy, e finalmente o meu preferido o fofa. Gostava mais desse porque quem me deu esse adjetivo foi um rapaz que eu amei, ele era meu vestido M e gostava de mim com toda a minha purpurina. E eu gostava dele porque ele me deu um adjetivo que me cabia. É difícil achar um só adjetivo pra ele, mas se eu fosse obrigada a escolher, eu diria ideal. Eu sei, é sem graça, mas é o que ele era: Ideal. Duvideodó que alguém nesta terra conseguisse achar um defeito neste moço era tudo que você sempre sonhou em um rapaz, embrulhado pra presente, com um sotaque francês. Ideal e só.

Aí tive que voltar do sonho britânico e encarar esta barra que é gostar de um moço que mora em outro país. E do meu fofa, tão lindinho, eu fui pra o apaixonada (não tão lindinho). Gostaria de saber quem foi que disse que se apaixonar é legal? Porque não é, então avisem seus amigos e vamos ver se a gente se livra desse mal que esta se espalhando mais que o ebola. Enfim, depois de meses de espera e mensagens trocadas no facebrookson, fui para França e encontrei com o rapaz, só pra descobrir que não. Não era verdade, ele não tinha saudade e já não pensava muito em mim, muito menos queria viver pra mim, visto que já estava namorando outra moça bem da sem graça, com cara de picolé de chuchu.

Então eu joguei o apaixonada no rio e voltei pra casa com o megera. Megera é um ótimo adjetivo, megeras não se apaixonam, eu podia friamente dispensar todos e sair por ai rebolando, linda, divônica, inacessível. E aí… E aí Brasil? Me fala o que aconteceu?! Óbvio que foi neste momento de iluminação e felicidade plena da minha vida, que me aparece um moço lindo, inteligente, culto, estiloso, que toca 20 instrumentos e sabe mexer no Excel. E QUE QUASE DESTRUIU A MINHA SANIDADE MENTAL. O ex.

Aí eu sai do megera, dei uma passada rápida no depre, mas dei a volta por cima e me coloquei linda bem em cima do vacinada. Vacinada para o amor. Você disse que ia ligar, mas não ligou? Ok, porque eu sou vacinada. Você deu em cima da minha amiga? Ok, porque eu sou vacinada.

Mas aí várias coisas aconteceram, dente elas: A Volta Dos Que Não Foram estrelando meu ex sendo um cachorro e o episódio lindo do bonito que pegou outra na minha frente (que já foi comentado aqui anteriormente), e do vacinada eu fui para o fria que, diferente do megera, não tem aquele status deuso de vilã da Disney, fria é só alguém que já se ferrou tanto no amor que se enterrou num poço, onde sentimentos e pessoas são tão descartáveis quanto copos plásticos em festa open bar.

Foi nesse momento é que a coisa começou a ficar feia. Eu não queria o adjetivo, mas, eu tinha que admitir que esse me cabia muito bem, bem demais eu diria e, diferente dos outros, esse foi ficando, porque ser fria é mais fácil, você não sofre, é tipo sequestro de banco: ninguém entra e ninguém sai.

E agora aqui estou eu, procurando alguém pra me ajudar a mudar meu adjetivo. A principío eu queria que viesse de um sincero, porque eles são sempre melhores quando se trata de doar adjetivos, mas também podia ser um apaixonado ou um apaixonante que eu juro que não ia ligar. Talvez pudesse ser um incrível, que também me achasse incrível e então poderíamos ser incríveis juntos, ou um intenso, para que tivéssemos adjetivos complementares. Ele podia usar o short e eu a blusa, sem vestidos dessa vez. Eu até pensei em mudar eu mesma meu adjetivo e acabar logo com essa presepada, mas sabe, adjetivos são como apelidos, tem que vir dos outros, se não, não pega.

Então é isso, meu coração tropical tá coberto de neve e eu estou aguardando o bofe, ou a viagem, ou seja lá o que for que vai conseguir mudar qualquer coisa aqui. Está lançado o desafio! Matem-se!

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18 comentários sobre “Os meus adjetivos

  1. Perfeito. Estou tentando adotar o adjetivo “fria”. Mas não consigo largar o “sentimental”, aquela que se importa se o cara não liga, se não responde mensagem. É… estar apaixonada é uma droga, ainda mais quando é via de mão única.
    Amei o texto.

  2. Oi, tudo bem? Só queria te dizer que está é a primeira vez que comento aqui e achei que já estava mais que na hora de escrever esse comentário incentivo porque você é demais! Adoro seus texto, acho vc engraçadissíma e (vc já deve ter lido isso milhares de vezes) adoraria ter uma amiga como vc! Leio seu blog desde que o blog chata de galochas indicou seu texto traduzido/adaptado das verdades de relacionamentos. Já li todos seus post pra trás e sempre passo aqui pra ver se tem novo! Não pare de escrever! Vc põem de forma bem humorada e pra frentex essas situações que todos e todas passamos. :3 Afinal, todos levaram ou levarão pés na bunda e é legal compartilhar as histórias. Saber que não estamos sozinhos. Dá força pra reerguer e continuar! Espero muito que:
    a) você saia logo da fase da frieza. Afinal tudo passa e não há mal que sempre dure. Persevere!
    b) você publique um livro sobre relacionamentos no futuro. Compraria com certeza!

    Beijos de mais uma fiel leitora!

    • Gentemm! Que pessoa mais linda essa, te desejo toda luz e amor do mundo! Tks pelo comentário, eu adorei, fico feliz em saber que meus textos alegram o dia de pessoas lindas assim!

  3. Me identifico muito com o que vc escreve. Até já usei o seu #tks for the update num fora que levei pelo whats… achei ótimo! Mas ele não entendeu a piada e achou que eu estava sendo legal. KKKKK. Sobre os adjetivos, sou objetiva. Cada vez mais objetiva, e cada vez gosto mais dele. Tb me foi dado, eu nem sabia que era! Descobri quando o peguete me contou. Eu achava que era mais que um peguete, sqn… Mas se ele deixou uma coisa boa foi esse adjetivo.
    Lendo o seu post, fiquei pensando: acho que objetiva engloba fria, mas tb pode ser megera, dependendo do ponto de vista. Mas o fato por trás da teoria é que dor é dor, sofrimento é sofrimento. A dor é pontual, o sofrimento é contínuo. Então, objetiva que sou, encaro a dor, sinto a dor, coloco um bandaid (que geralmente tem um nome, sobrenome e CPF), e me recuso a sofrer por causa daquela dor. Passou e não se fala mais nisso. Aí venho aqui e leio seus posts, dou risada de mim mesma, me sinto menos solitária.
    É a forma “fria” (cá entre nós, não é tanto) que vc usa para encarar as coisas que faz com que seus textos sejam tão bons! Curta essa fase, trabalhe em cima dela. A evolução (?) vem naturalmente, e quem sabe qual vai ser o próximo adjetivo?
    Vai prá vida. “Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei.”
    Nos estamos aqui do outro lado, aprendendo também com vc!

  4. Pingback: Os meus adjetivos | Cosmopolitan Girl

  5. Olha só: só hj descobri seu post, através da única amiga do face do meu ex – marido q não bloqueei (acho q ela tb separou) e adorei os adjetivos. E um sou louca por palavras novas, uso o dicionário regularmente, e depois de tanta terapia, tanto vinho sozinha, descobri que estou encarnando adjetivos aqui no seu blog! Cada um tem a sua vez, dói pra burro às vezes, às vezes é tanto prazer que não sei q adjetivo cabe, o fato é que não trocaria por nada nesse mundo o que estou vivendo, tudo que já vivi: minha vida vou viver em letras maiúsculas, qualquer que seja o adjetivo! Vc com certeza tem esse amor próprio aí, então, (não lembro a data do post, se vc ainda se sente assim, e as taças que me acompanharam nesta noite me impedem de encontrar tal informação) então, coragem e bola pra frente! Viver é que é apaixonante!

  6. Pingback: Não Ideal, Mas Intenso! | Insensatez

  7. Ai eu me pergunto: COMO e PORQUE eu não descobri o seu blog >maravilhoso< antes? Sabe, no meio de tantos "looks do dia" "resenha do produto tal" era um justamente algo tipo o SEU BLOG que eu vinha procurando há séculos!! Obrigada por fazer minha busca valer a pena ❤ já ganhou uma leitora assídua hahahaha

  8. É a primeira vez que entro no seu blog. E pra falar a verdade, nem sei como cheguei aqui. A essa hora da madruga, entre um click e outro,PAM! Cá estou eu. E vou te dar um novo adjetivo. Adote-o ou não: vc é PICA. Belo jeitinho de escrever. Gostei demais! Volto em breve. Pica das galáxias! Seus textos, pelo que li até agora, são desses.

  9. Nossa até ler esse seu texto eu não tinha me dado conta que estou num momento fria! Como sempre seu blog me abre os olhos e melhora meu dia. Continue compartilhando esses momentos conosco e nos ajudando a nos valorizarmos e seguir diva!
    Obrigada!!!!!!!!!!!

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